sábado, 23 de fevereiro de 2008

Versos sem muita graça

E o mundo acordou
de uma doce miragem
O que era açúcar, amargou
desbotou-se a paisagem

Secou o mar de sal
que escorre pela face

Azedou o mel
Coalhou o leite

- Acorda menina!
- Sai desse devaneio!!
- Quem mandou acreditar?
- Quem guardou a esperança?
- Quem perdeu para você achar?

Acabaram-se os versos,
restou talvez a crença.
E lá no fundo, uma chama incerta,
brilha até gastar.

Andreia Santana

Um comentário:

Alane disse...

A vida não é feita de coisas boas apenas, mas é que as coisas boas, de tão boas, não nos deixam desacreditar..
Que desbotem as paisagens, para mais coloridas nascer; que amargue o açúcar, para mais doce ficar; que seque o mar de sal, para que possa ser renovado...
Quanto à chama certa que brilha até gastar, que ela brilhe e nunca gaste, intensa e infinitamente, e por uma única razão: é que essa chama, ela irradia. E isso é bom.