domingo, 16 de março de 2008

Viver e morrer (aos 16 é bem fácil...)

Sou a gota de chuva que retorna ao rio
O pedaço de nuvem que se desgarrou do céu
um raio de sol que ao anoitecer adormece.
Apesar de tão efêmera,
sou as coisas de que jamais esqueces.


Andreia Santana, outubro de 1990, aos 16 anos, quando a tristeza adolescente encontrava em Florbela Espanca uma alma gêmea.

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EU

Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida

Sombra de névoa tênue e esvaecida;
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo para me ver
E que nunca na vida me encontrou!

(Florbela Espanca)

Um comentário:

Matheus disse...

Eu achei esse poema de Florbela Espanca (pow soc tum!!) desde que vc leu pra mim!