sábado, 19 de abril de 2008

I – A cidade de ouro e prata

Havia uma cidade muito distante, tão distante que a viagem a pé demorava mil e um sonhos. Depois de atravessar as florestas sem fim, as areias do deserto de sal, as geladas montanhas do nunca mais, o subterrâneo bosque engolido e o mar das lendas, o viajante finalmente chegava aos portões da Cidade de Ouro e Prata.

Nem era bem uma cidade. Era um palácio. Tão grande, com tantos quartos, tantas salas, tantos jardins e cabia tanta gente dentro, que os moradores começaram a chamá-lo de Cidade de Ouro e Prata.

Tudo na Cidade de Ouro e Prata era muito grande, muito rico e muito caro. Os portões eram do mais puro ouro e da mais fina prata. Dentro da fortaleza, os guardas se vestiam com sedas caríssimas. As ruas eram calçadas com mármore de todas as cores e quando o sol batia nas pedras, surgiam arcos-íris por todo caminho.

Nos diversos pátios e jardins da Cidade de Ouro e Prata havia milhares de espécies de plantas, daquele país e de terras distantes. Plantas com flores e com espinhos, coloridas e quase transparentes, feito cristal. Plantas que bebiam água como todas as plantas e que também comiam carne.

As flores tinham um perfume do outro mundo, hipnotizador. Visitantes desavisados se perdiam nos milhões de aromas e ficavam para sempre morando nos jardins encantados. Animais de todos os tamanhos passeavam e construíam suas tocas e seus ninhos. Felinos grandes como o tigre, herbívoros pequenos como o rato do campo, todas as espécies de aves e pássaros cantores. Elefantes, zebras e hipopótamos. Estes últimos passavam o dia mergulhados nos laguinhos cheios de peixes.

Não, baleia não tinha. Os habitantes da Cidade de Ouro e Prata nunca tinham visto uma baleia, nem sabiam que podia existir um peixe tão grande assim. Epa! Mas baleia não é peixe. Só que, se os habitantes da cidade-palácio não sabiam que baleias existiam como eles iriam saber que ela não é peixe?

Só um habitante da Cidade de Ouro e Prata em toda a sua história de reino que cabia dentro de um palácio iria ver uma baleia. Mas esse habitante também veria milhares de outras coisas. Porque ele foi o único a ter coragem de se aventurar para além dos portões.

2 comentários:

Matheus disse...

Eles deviam ter empregos muito chiques e deviam receber bilhoes, trilhoes por mes, neh, pra terem roupas e portoes (e todo o resto) de ouro e prata, "muy" sofisticados, eh ou nao eh? Adorei, ta legal, vc nao contou essa descricao toda pra eu dormir pq ia ficar muito demorado o conto, né? Amei!!! Continue sendo essa pessoa maravilhosa e cheia de imaginacao (mesmo que continue nao deesenhando muito bem, mas desenho num tem nada a ver com imaginatuion, neh?)!!!:)=(

Andreia Santana disse...

É que tem gente que tem talento pra imaginar figuras e eu só sei desenhar com palavras.