domingo, 20 de abril de 2008

II – A vida doce dentro das muralhas


O rei Paxá e a rainha Isdora governavam a Cidade de Ouro e Prata. Eram bons soberanos, davam ao seu povo conforto, distribuíam justiça com benevolência e levavam uma vida muito tranqüila, passeando pelos jardins.

A rainha Isdora não era muito alta e nem era gordinha. Também não era magricela. Gostava muito de vestir sáris coloridos e se enfeitar com lenços cobertos de pedrinhas preciosas. Usava muitos anéis, colares, brincos compridos e pintava os olhos com kajal. A boca era pequena e vermelha feito uma das maçãs do pomar da Cidade de Ouro e Prata. Os cabelos muito negros tinham alguns fios brancos que conferiam à rainha um ar de respeito e sabedoria.

O rei Paxá era atlético. Gostava de cavalgar, praticava esgrima e acordava cedo todos os dias. O espetáculo do nascer do sol comovia o gentil soberano, que nunca havia saído dos limites da Cidade de Ouro e Prata. Ele não se interessava muito pela vida fora dos seus domínios. Para o rei, a cidade-palácio era perfeita e o que existia fora dos seus muros não devia ter muita graça.

A vida era doce como uva madura e suculenta feito uma boa melancia rosada do lado de dentro dos portões. Lá fora, estava o mundo. Mesmo que nunca tivessem visto esse mundo, os habitantes da Cidade de Ouro e Prata imaginavam que viver nele deveria ser muito difícil. Os viajantes que chegavam ao reino nunca tinham boas histórias para contar sobre a vastidão além dos limites. Era por isso que ninguém queria ir embora e os estrangeiros, tão bem acolhidos pelo povo simpático daquele castelo, preferiam viver entre seus muros brilhantes pelo resto da vida.

Os pobres não eram tão pobres na Cidade de Ouro e Prata. Todos trabalhavam, mas ninguém era escravo. As crianças sabiam ler e freqüentavam a vasta biblioteca do rei. No inverno não faltava agasalho e chocolate quente e no verão havia muito suco fresco de frutas e uma infinidade de lagos para tomar banho.

Ninguém pedia esmolas ou comida de porta em porta. Havia os que cultivavam a terra, os que fabricavam pães, os que criavam o bicho-da-seda, os que fiavam, os que costuravam. Havia quem ensinava as crianças, quem fazia as contas do reino e havia ainda poetas e dançarinos e pintores e escultores.

O rei Paxá e a rainha Isdora contemplavam a beleza e a perfeição do seu reino. Mas no coração da Cidade de Ouro e Prata dois habitantes não se comoviam com a visão de paraíso: um menino que queria viver aventuras e fugir da gaiola dourada e um homem sinistro, cuja inveja seria a ruína de todos os habitantes do palácio-cidade.

Um comentário:

Matheus disse...

Estou gostando cada vez mais da historia do principe Rajá, embora eu so tenha lido a introdução e dois capítulos. Mas, mamae, no último paragrafo do II capítulo, vc escreveu "visao de paraíso". Nao seria "visao do paraíso"? Conte-me, com um comentario (no seu ou no meu blog) ou pessoalment, ta?