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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Príncipe Rajá anda por aí aprendendo a viver...

O menino impaciente pergunta para a velha contadora de histórias por onde andará o príncipe Rajá, pois a história que a velha conta, só dá mesmo conta de outros assuntos, menos daquele que de fato interessa, um menino e sua enorme vontade de se aventurar.

- E o que é que te interessa, meu filho ? - quer saber a velha contadora de histórias.

- Ora, a aventura, a vida, o mundo grande enquanto sou pequeno e tão pequeno depois que eu for grande e percorrer cada canto dele.

- Mas você não acha meu filho, que um menino de 11 anos incompletos ainda precisa viver muito antes de se aventurar?

- Mas viver já é uma aventura fantástica, não é?

- É isso meu filho, Rajá está por ai, aprendendo a viver... - E a velha contadora de histórias, com suas mãos nodosas, ajeita o xale sobre os ombros e promete ao menino que em breve o príncipe irá enfrentar perigos nunca antes imaginados.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

As mil e uma aventuras do príncipe Rajá

A rainha prisioneira - Final

As ajudantes prometidas pelo conselheiro de Islamal chegaram no final da tarde ao quarto. Traziam água quente, sais de banho, pétalas de rosa, escovas de cabelo e de dentes, henna para pintar as mãos e os pés da rainha, khol para seus olhos e uma mistura carmim para os lábios. Numa caixa, que Isdora reconheceu como sendo a sua própria caixa de jóias, havia braceletes, tornozeleiras, anéis, brincos e colares de pedras preciosas.

A rainha olhava as criadas indo e vindo pelo quarto, abrindo espaço para preparar o seu banho. Ela não ofereceu resistência quando as mulheres a tiraram da cama, despiram suas roupas sujas e começaram a esfregar a pele, lavar seus cabelos com água de rosas. Também se comportou bem enquanto as criadas desembaraçavam os longos cabelos negros e refaziam as tranças, enfeitando-as com pedrinhas. Estendeu as mãos e os pés para a pintura de henna e deixou-se maquiar como uma boneca, sem reclamar, sem resistir.

No final, quando estava belíssima no vestido novo enviado pelo seu seqüestrador, a rainha Isdora aguardou que a porta do seu quarto-prisão fosse aberta. E, quando isso aconteceu, ela correu. Correu como se tivesse asas nos pés, correu como se não fosse uma rainha, mas uma gazela fugindo de um tigre. Os guardas que foram mandados para levá-la até o jantar de comemoração corriam atrás da rainha, mas eram pesados, com armaduras de couro, capacetes, escudos e lanças. Isdora, em seu vestido leve e esvoaçante, pequena e magra, corria pelo palácio como um fantasma.

Conseguiu sair para um dos jardins. Misturou-se às flores e arbustos. Ficou escondida, arfando, recuperando o fôlego. A rainha conhecia cada um daqueles jardins, conhecia as propriedades de cada uma das plantas. As que curavam, as que matavam, as que lançavam quem as comesse em um sono eterno e uma plantinha em especial, capaz de transformar quem a comia em pedra. Recolheu um pedaço da planta venenosa para matar, um pedaço do seu antídoto para curar e uma muda inteira da que servia para transformar gente em pedra e guardou tudo sob as vestes.

Depois, calmamente, saiu do meio das flores e arbustos e, com passos decididos, caminhou até o grande salão real, onde sabia que Islamal a aguardava. A rainha tinha certeza que os guardas e as criadas não comentariam com Islamal a sua desabalada carreira pelos jardins. Os próprios guardas, atônitos, não entendiam direito o que a rainha tinha ido fazer no meio das árvores. Se ela queria fugir, porque não correu para o portão?

Pensaram que Isdora tinha enlouquecido depois de meses trancada. Todos que trabalhavam para Islamal sabiam que seriam castigados se contassem a ele que por alguns minutos perderam a rainha num dos jardins e já que, a própria rainha agora caminhava calmamente em direção ao banquete, parecendo tão calma e tão resignada, resolveram esquecer o assunto. Quando a guerra começasse, os soldados iriam lamentar. Mas aí, seria tarde demais.

Para acompanhar a história desde o início:

I- A cidade de ouro e prata
II - A vida doce dentro das muralhas
III - A gaiola dourada e o passarinho triste
IV - O sinistro mago Islamal
V - O pedido de Rajá
VI - O plano de Islamal
VII - Aprendiz de hipnotizador
VIII - A floresta sem fim
IX - A língua universal
X - A feiticeira da lua crescente
XI - O rei destronado
O rei destronado - continuação
O rei destronado - final
XII - A rainha prisioneira - Parte I
A rainha prisioneira - Parte II
A rainha prisioneira - parte III

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Contos de Fadas para cair na real


Cinderela que parece a Barbie














Na versão dos Irmãos Grimm, Cinderela não tem fada-madrinha. O texto é assim contado:

Um dia, quando já está sofrendo com sua madrasta e suas irmãs, ela pede para o pai trazer um galho de árvore. Ela planta este galho de árvore no túmulo de sua mãe e o galho se transforma numa árvore. Cinderela vai todos os dias rezar no túmulo da mãe e aparece um pássaro branco que atende seus pedidos. Quando aparece a oportunidade do baile, Cinderela diz para as irmãs que quer ir... e as irmãs, de maldade, despejaram uma bacia de lentilhas no meio das cinzas do borralho (algo assim como uma lareira) e disseram que ela tinha que juntar todos os grãos. Ela pede ajuda para as pombinhas e aves do céu, que ajudam a Cinderela. Quando a madrasta e as irmãs saem para ir ao baile, a Cinderela vai até o túmulo da mãe, sacode a árvore e lá o pássaro branco joga um vestido lindo e um par de sapatinhos. Ela vai ao baile três vezes, faz o maior sucesso, mas sempre foge para o príncipe não descobrir onde ela mora. Mas na terceira noite, o príncipe joga piche (um tipo de cola) na escada e ela perde um sapatinho, que fica grudado no piche. Quando o príncipe foi procurar a moça cujo pé coubesse no sapatinho, a primeira irmã da Cinderela corta o dedão para caber no sapatinho... mas logo começa a cair sangue do sapato e ela é desmascarada. A segunda corta um pedaço do calcanhar, mas o sapato também começa a sangrar... e o príncipe devolve a moça. Finalmente, se descobre que é a Cinderela a dona do sapatinho. O final da versão de Cinderela dos Irmãos Grimm também é violento. No casamento da Cinderela, as pombas que a ajudaram furam os olhos das irmãs que ficam cegas! Geralmente, não se conhece esta versão, porque por muito tempo se julgou que continha elementos muito violentos e agressivos para serem contados às crianças.

A narrativa que se tornou oficial foi aquela popularizada pela Disney. Recebi esse texto de uma pessoa especial uma vez, daquele tipo de pessoa que enxerga mais que as outras pessoas.